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 Introdução  

O presente site tem como objetivo disponibilizar uma forma alternativa de abordar assuntos relacionados com educação STEM (Science, Technology, Engineering, and Math).   


A Lenda do Educador do Futuro...   

Considere a seguinte situação, se colocarmos um cirurgião da década de 1960 em uma sala de cirurgia de 2017, provavelmente ele estará perdido. O nível de informatização e a complexidade dos equipamentos médicos deixarão o cirurgião de 1960 totalmente desnorteado. Vamos dilatar o intervalo temporal e compararmos professores. Se pegarmos um professor de 1940 e transportá-lo para uma sala de aula de 2017, depois de uma brevíssima introdução de como passar os slides no PowerPoint, o mesmo estaria totalmente à vontade na sala de aula. Pior ainda, se vestíssemos o docente de 1940 com roupas de um docente de 2017, nem os alunos perceberiam que estavam diante de um visitante temporal. Ou seja, continuamos ensinando como ensinavam há mais de 70 anos atrás. Na verdade se transportarmos um docente do século XIX, provavelmente o resultado seria o mesmo. Por quê? A resposta não é simples e, para ser honesto, eu não acredito que eu tenha uma resposta satisfatória, mas tenho uma proposta...



Salas de cirurgias de 1960 e 2017. Fontes: http://www.gettyimages.com/detail/video/1960s-black-and-white-wide-shot-dolly-shot-stock-video-footage/868-66 e http://blog.idataresearch.com/stryker-karl-storz-lead-us-integrated-operating-room-market-demand-increases-date-technology/ . Acesso em 11 de janeiro de 2017.


Salas de aulas de 1940 e 2016. Fontes: http://cardenal-cisneros.blogspot.com.br/   e 
https://cbncuritiba.com/2016/01/04/ano-letivo-de-2016-na-rede-estadual-comeca-no-dia-29-de-janeiro/ . Acesso em 11 de janeiro de 2017.


Uma Proposta para o Ensino STEM  

Eu nunca me senti feliz com a forma que ensinava. Minha receita antiga era: aulas em PowerPoint, Poodle, ou desculpem-me, Moodle, sites, trabalhos e... provas. Assim, nos últimos semestres tenho tentado abordagens alternativas. O presente projeto é resultado de umas das ideais que estou desenvolvendo. Sem querer ser o dono da verdade, minha humilde ambição é compartilhar com colegas a experiência. Como sempre, fiquem à vontade para criticar e fazer sugestões.


Proteingo.net    

O projeto proteingo.net visa disponibilizar ferramentas para criar formas alternativas de autoestudo e avaliação de aprendizado do conteúdo. Não trata-se de uma nova ferramenta e sim uma forma de integrar ferramentas existentes (Google Forms, QR code e Protein Data Bank) para uma proposta educacional mais motivadora. Destaco, a experiência é sobre o ensino de proteínas, mas a abordagem vale para qualquer assunto. Mesmo o proteingo.net não restringe-se à disciplina de Biofísica Molecular, como veremos mais tarde. Vamos a ele. O projeto proteingo.net disponibiliza no referido site links para questionários on-line criados com o Google Forms (ferramenta gratuita disponível em: https://www.google.com/forms/about/ ). A partir da informação sobre o papel biológico dessas proteínas disponíveis no site do Protein Data Bank (http://pdb101.rcsb.org/ ), selecionei algumas dezenas de proteínas. Essas proteínas fazem parte da ementa da disciplina Biofísica Molecular do curso de Ciências Biológicas. Para cada site com as informações sobre a proteína foi gerado um código QR. Há diversas ferramentas que podem ser usadas para criar um código QR a partir do endereço do site (URL), por exemplo: http://goqr.me/ . Vejam bem, meu exemplo aqui é para proteínas,mas  pode ser usado qualquer site para gerar o código QR. Pode ser um link para Wikipedia, um "abstract" de um artigo no PubMed, um vídeo do YouTube. Bem, qualquer informação na forma digital para a qual há um site.


Por que usar QR e não o link direto?

Bem, esta é uma ideia em teste. Passar o link com conteúdo para os estudantes significa simplesmente mais um link que aquele professor passou, provavelmente o aluno nem vai acessar. Com o código QR atiçamos a curiosidade do aluno, que precisará capturar a imagem com seu celular e aí ter acesso ao conteúdo. Neste semestre espalhei códigos QR impressos pelo espaço educacional dos alunos. Para fazer o processo de captura mais desafiador, espalhei os códigos QR impressos de forma estratégica, de forma que eles tenham algum trabalho para capturar os "proteinmons" (os sites das proteínas). Coloquei como desafio aos estudantes que estes capturassem os proteinmons que estavam espalhados. Como destacado, cada código QR com uma proteína. Depois de "capturados" eles terão que responder ao questionário on-line.
Além do exposto anteriormente, integraremos na forma de avaliação a realização de pequenos vídeos sobre o papel biológico das proteínas a serem capturadas. Esses vídeos serão produzidos pelos próprios alunos e disponibilizados no site proteingo.net. Espera-se desta forma termos uma memória viva da evolução do estudo da disciplina, que ficará de referência para próximas turmas e aberta para consulta. Como destaquei, o conteúdo foi preparado para disciplina de Biofísica Molecular. Mas eu a utilizo para outras disciplinas que ministro, como a disciplina de Bioinformática Estrutural do Curso de Especialização em Bioinformática da PUCRS e para as disciplinas de Bioinformática Aplicada e Bioinformática Avançada do programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular da PUCRS. Além disso, o conteúdo do proteingo.net pode ser usado para as seguintes disciplinas: Bioquímica Estrutural, Bioquímica Metabólica, Biologia Molecular, Biotecnologia, Fisiologia Vegetal, Fisiologia Animal, Genética, entre outras que tenham proteínas.     


Um Exemplo de Como Usar

Vamos considerar a proteína supressora de tumores p53. O link do Protein Data Bank para ela é o seguinte: http://pdb101.rcsb.org/motm/31 . Ao passar o link anterior para o gerador de QR (http://goqr.me/ ), temos o QR mostrado na figura ao lado. Muito bem, basta imprimir a figura do QR e colocar de forma estratégica no espaço educacional frequentado pelos alunos. Eu não aconselho colocar num site o código QR, a ideia é que o aluno use seu celular para capturar o proteinmon. Agora usamos o Google Forms (https://www.google.com/forms/about/) para gerarmos um questionário interativo. Perfeito, temos um proteinmon pronto para ser capturado. Segue o link que criei como exemplo de questionário. O referido questionário tem um pequeno vídeo introdutório de 1 minuto e 50 segundos. Depois temos 15 perguntas de múltipla escolha. O questionário é bem dinâmico e com o Google Forms fácil de criar.

Conclusão

Esperamos com a integração do Protein Data Bank, gerador de códigos QR e Google Forms, todas ferramentas gratuitas, gerar uma abordagem alternativa aos trabalhos universitários tradicionais. Tal abordagem leva aos alunos a terem um papel mais independente com relação ao seu estudo. O uso do Protein Data Bank permite termos uma informação científica de qualidade e devidamente curada por especialistas da área. O código QR brinca com a parte lúdica, onde os alunos em grupo ou de forma individual passam para a caçada dos proteinmons, criando uma curiosidade sobre a proteína a ser capturada. O uso do Google Forms nos dá liberdade de criarmos questionários iterativos a partir de uma plataforma gratuita e de fácil aprendizado. Além disso, a avaliação a partir do Google Forms pode ser automatizada, individualizada, analisada de forma estatística verificando-se pontos que merecem ser revisitados e discutidos, e pontos que foram aprendidos de forma satisfatória.


Quatro Passos para Gerar os Proteinmons

Links Usados

1) Protein Data Bank: http://pdb101.rcsb.org/ 

2) Protein Data Bank: http://pdb101.rcsb.org/motm/31

3) Gerador de Códigos QR: http://goqr.me/ . 

Formulários do Google: https://www.google.com/forms/about/ . Acesso em 11 de janeiro de 2017.